quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Desastre no Rio Grande do Sul

Depois de Santa Catarina no final do ano passado, cidades do Rio Grande do Sul passam por desgraça com inundação. As mais atingidas foram Turuçu e Pelotas

"O alerta da excepcional enchente que Pelotas sofreu, na semana passada, a pior enchente ocorrida nos últimos 30 anos, conforme avaliação da Estação Agroclimatológica Embrapa/UFPel. A estação registrou em apenas l2 horas - da quinta para a sexta-feira - um acumulado de l40,4 milímetros. Dessa forma, a média mensal dos últimos 30 anos para maio, de l00,7 milímetros, já foi superada. O total acumulado no mês, até sexta-feira, já era de 292,6 mm. 

Esta excepcional enchente colocou cerca de 50 mil pessoas em situação de risco na cidade, ou seja, cerca de um sexto da população urbana. Foram atingidas, de fato, pela invasão das água, de forma direta, 11 mil pessoas, conforme levantamento da Prefeitura. Foram tão graves as conseqüências do fenômeno que o governo municipal decretou, na sexta-feira, situação de emergência no município. Uma das considerações do referido decreto deve ser destacada pois implica em grave advertência sobre um dos fatores que influíram na enorme dimensão dos danos causados pela anormalidade climática. Houve, sem dúvida, um total excepcional de chuvas em pouco tempo. Por melhor estrutura urbana que Pelotas tivesse, causaria muitos problemas. Mas também é evidente que teria menor dimensão e gravidade se o crescimento urbano não houvesse ocorrido, nas últimas décadas, em ritmo acelerado, devido às migrações, e sobretudo de forma bastante desordenada, com sucessivos governos permitindo a formação de núcleos populacionais, alguns em enormes áreas, em zonas baixas, com alto risco de inundação. A necessidade de começar a solucionar esse problema é talvez a principal lição que apresenta a grande cheia da semana passada. Resultado de uma negligência governamental de tanto tempo, a ocupação humana de áreas facilmente alagáveis precisará de uma política de curto e médio prazo, tornando-se uma real prioridade de todos os governos. A enchente veio evidenciar a existência de um problema que afeta, permanentemente, a vida de milhares de famílias pobres, principalmente as que moram na vila Farroupilha, vila Castilho, bairro Guabiroba, bairro Simões Lopes, na zona às margens do canal São Gonçalo (como o início das ruas General Osório e Uruguai) e outras, como os bairros Navegantes. Agora foram afetadas 11 mil pessoas; a grande enchente deve servir como alerta de que vivem permanentemente em áreas de várzea, baixas, alagadiças, úmidas, insalubres, cerca de 50 mil pelotenses. 

A propósito de alerta, é oportuno advertir que tendem a aumentar os casos de leptospirose depois da ocorrência de enchentes. É preciso evitar contato com água poluída, pois pode ter bactéria transmitida pela urina de rato. O momento não é só de reconstrução de tudo o que foi destruído pelas enxurradas, mas de elaborar um plano que reduza os efeitos de sua repetição, em maior ou menor escala e, pelo menos, resolver, estruturalmente, os problemas de insalubridade permanente, por umidade do terreno, de milhares de famílias pobres da periferia."

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